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Problemas mecânicos lideram paradas inesperadas durante viagens de férias e aumentam riscos nas estradas

  • Foto do escritor: Redação | Automotive S/A
    Redação | Automotive S/A
  • 5 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Homem verificando o motor de um carro com o capô aberto enquanto uma mulher observa ao fundo, em ambiente externo durante o dia.

Por Marcelo Martini


Viajar de carro no fim do ano é um hábito recorrente no Brasil, impulsionado, principalmente, pelo recesso escolar, festas familiares e turismo interno, e ocorre em um momento em que as rodovias entram na fase mais carregada do calendário.


Anualmente, as concessionárias que administram os principais corredores projetam aumento expressivo de fluxo durante o período de festas. Em 2024, somente entre 20 de dezembro e 05 de janeiro, 3,14 milhões de veículos trafegaram no trecho de concessão da Arteris Régis Bittencourt, segundo levantamento. Já na Arteris Litoral Sul, o volume foi de 4,9 milhões de veículos no período.


Nesse ambiente de tráfego intenso, somado a viagens mais longas, carros carregados e temperaturas elevadas, a margem de tolerância mecânica diminui e a manutenção preventiva passa a ter papel ainda mais importante para reduzir a chance de pane e de incidentes no caminho.


Principal problema durante as viagens

Ainda de acordo com os dados da Arteris, durante o período de festas, em 2024, no trecho Régis Bittencourt foram prestados 3.684 atendimentos, sendo 3.035 relacionados a problemas mecânicos nos veículos, o que equivale a cerca 82% desses atendimentos. Já no trecho Litoral Sul, a concessionária prestou 4.968 atendimentos, sendo 4.254 relacionados a problemas mecânicos nos veículos, equivalente a cerca de 86% do total.


Esses números mostram que a principal causa de interrupção involuntária em viagem não é o acidente, mas a falha do próprio veículo, quase sempre ligada a itens de desgaste previsível. Em um ambiente em que a pane mecânica lidera as ocorrências, torna-se evidente que uma parcela relevante dessas paradas teria sido evitada com inspeções e trocas programadas antes da saída.


Frota envelhecida

Além do aumento de fluxo nas rodovias, outros pontos importantes são observados com relação às viagens de final de ano, como a idade média dos veículos em circulação. Um estudo do Sindipeças indica que, em 2024, a idade média dos veículos chegou a 10 anos e 11 meses, com automóveis ultrapassando 11 anos em média, além da expansão do contingente de veículos acima de 16 anos na frota circulante.


Em uma frota envelhecida, o fator tempo pesa tanto quanto a quilometragem, pois correias, mangueiras, vedadores, componentes elétricos e fluidos degradam por envelhecimento químico e térmico mesmo com rodagem anual baixa. Por isso, a revisão pré-viagem não se limita a veículos “problemáticos”. Ela responde a um cenário estrutural em que grande parte dos carros circula em faixa etária que exige disciplina maior de manutenção.


O padrão de falhas em feriados tem causas mapeadas, com destaque para pneus com desgaste próximo do limite ou calibragem inadequada, sistemas de freio sem revisão recente, superaquecimento decorrente de problemas no arrefecimento, baterias no fim da vida útil e falhas associadas à lubrificação.


De um modo geral, no dia a dia urbano, o motorista consegue conviver por algum tempo com ruídos ocasionais, leve vibração, consumo um pouco maior de óleo ou alertas intermitentes no painel. Há mais oportunidades para parar, reavaliar o carro e retomar o trajeto. Em viagens longas, essa folga desaparece. Um automóvel que passa horas em temperatura elevada, carregado e com rotações constantes entra em condição de uso severo, sobretudo em descidas de serra, com maior demanda térmica sobre o motor, esforço adicional sobre pneus e freios e consumo elétrico mais alto, especialmente pelo uso contínuo de ar-condicionado, faróis e carregadores.


Importância da lubrificação

No caso da lubrificação, o risco ganha peso porque o óleo é responsável por reduzir atrito, auxiliar no controle térmico e manter contaminantes em suspensão dentro do motor. Em estrada, o propulsor trabalha de forma contínua e sob carga relativamente alta. Isso acelera a oxidação do óleo e o consumo natural, sobretudo quando o produto já está no limite de troca ou fora da especificação recomendada no manual. Óleo envelhecido perde aditivos, altera a viscosidade operacional e circula com menor capacidade de formar película protetora.


O resultado é o aumento de atrito interno, elevação de temperatura e desgaste acelerado. Se o nível também está baixo, a perda de pressão pode ocorrer em momentos de maior exigência, como subidas longas, ultrapassagens ou congestionamentos sob calor intenso, e esse tipo de falha costuma ter consequências graves, indo de danos em componentes internos até travamento do motor.


A orientação técnica mais importante é respeitar o intervalo por tempo e por quilometragem, considerando o que ocorrer primeiro, e usar a viscosidade e a norma indicadas pelo fabricante, uma vez que o motor foi projetado para operar com aquele conjunto de propriedades.


Checklist de manutenção

Na prática, o que evita a maior parte das panes é um conjunto de checagens simples, embora negligenciado com frequência. A inspeção deve começar pelo óleo e pelo filtro, conferindo prazo, nível e ausência de vazamentos. Em seguida, o sistema de arrefecimento precisa ser verificado quanto ao nível, à proporção correta de aditivo e à integridade de mangueiras e radiador, ponto sensível no verão.


Os freios merecem avaliação do desgaste de pastilhas e discos e do estado do fluido, que absorve umidade ao longo do tempo e perde eficiência térmica. Os pneus e estepe devem ser checados com atenção ao desgaste da banda, inclusive pelos indicadores TWI, à presença de rachaduras laterais, à pressão adequada para o peso transportado e ao alinhamento ou balanceamento.


O checklist se completa com teste de bateria e alternador, revisão de iluminação completa e verificação dos limpadores, já que chuva de verão e trechos noturnos tornam visibilidade e sinalização fundamentais para a segurança. A recomendação é fazer a revisão com antecedência mínima de uma semana, de modo que eventuais trocas detectadas não precisem ser feitas às pressas.


Os dados de estrada, o perfil da frota e o comportamento típico de viagem no fim do ano apontam que as rodovias registram grande volume de panes mecânicas que seguem padrões repetitivos e, portanto, evitáveis. A frota brasileira envelhecida amplia o custo de ignorar prazos porque componentes já estão sujeitos a desgaste por tempo. O uso intensivo das férias, com longas distâncias, calor, veículo carregado e tráfego denso, eleva a exigência sobre sistemas dependentes de manutenção em dia, como lubrificação, arrefecimento, pneus e freios.


Nesse contexto, a revisão pré-viagem funciona como medida prática para reduzir paradas involuntárias, evitar panes em trechos críticos e diminuir custos que surgem quando o problema aparece longe de casa.


Homem sentado em uma poltrona, vestindo camiseta preta com o logo da FUCHS e calça jeans, posando para foto em ambiente iluminado por luz natural.









Marcelo Martini é Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS, maior fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados do mundo.

2 comentários


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há 8 horas

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