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Aumento da busca por veículos com câmbio automático amplia demanda por produtos específicos para manutenção

  • Foto do escritor: Redação | Automotive S/A
    Redação | Automotive S/A
  • 19 de mai.
  • 5 min de leitura
Pessoa conduzindo carro com câmbio automático, segurando a alavanca de transmissão no console central do veículo.

Por Marcelo Martini


Entre março de 2023 e março de 2024, a procura por veículos novos com câmbio automático no Brasil cresceu 140%, segundo levantamento da Webmotors. Em comparação aos dois tipos de câmbio, a busca pelos automáticos foi 42% superior em relação aos manuais ao longo dos 12 meses, considerando veículos novos e usados. O estudo aponta ainda um aumento de 59% na busca por veículos usados com o câmbio automático durante o mesmo período.


Esses dados, no geral, demonstram uma reconfiguração no perfil da frota nacional, que começa a produzir efeitos diretos sobre o mercado de manutenção automotiva e a demanda por fluidos específicos para transmissão.


Esse crescimento na busca por veículos automáticos decorre de uma série de fatores, entre eles o congestionamento nas grandes cidades, que tornou o câmbio manual progressivamente menos funcional no uso cotidiano. Além disso, as novas exigências do Proconve, o programa federal de controle de emissões de poluentes, pressionaram as montadoras a adotarem transmissões que gerenciem o consumo de combustível com mais precisão.


Com isto, os câmbios automáticos mais modernos, com seis, oito ou dez marchas, também chegaram a um patamar de eficiência que eliminou a desvantagem histórica de consumo em relação aos manuais, o que removeu um dos últimos argumentos técnicos contra sua adoção em versões mais acessíveis. Modelos compactos que chegavam ao mercado exclusivamente com câmbio manual hoje são lançados com opção automática, ou já nessa configuração como padrão.


Frota em manutenção


Os veículos automáticos vendidos entre 2018 e 2024 estão entrando no período em que a transmissão exige atenção técnica mais regular, e esse movimento começa a se refletir no volume de atendimentos nas oficinas brasileiras. Com a idade média da frota nacional superior a onze anos, boa parte dessas intervenções envolve câmbios que nunca receberam manutenção preventiva adequada, por desconhecimento do proprietário ou pela ausência de uma cultura consolidada de cuidado com esse componente.


Segundo dados da Mordor Intelligence, o mercado global de reparo de transmissões automotivas deve crescer de US$ 193,34 bilhões em 2025 para US$ 234,10 bilhões até 2030, e no Brasil esse crescimento tende a ser proporcionalmente mais expressivo, dado o tamanho da frota que amadureceu ao longo desse ciclo de adoção. O que sustenta esse cenário não é a complexidade técnica da transmissão em si, mas o desconhecimento generalizado sobre o que a mantém funcionando ao longo do tempo.


Isso ocorrem, tendo em vista que maioria dos motoristas sabe que precisa trocar o óleo do motor em intervalos regulares, mas poucos têm a mesma consciência sobre o fluido da transmissão automática, que lubrifica componentes internos, dissipa calor, transfere torque e garante o controle hidráulico das mudanças de marcha.


Quando esse fluido se degrada por tempo de uso, contaminação ou superaquecimento, o câmbio começa a apresentar falhas que frequentemente só se tornam visíveis quando o reparo já envolve custo elevado e, em alguns casos, substituição de peças que teriam durado muito mais com manutenção preventiva.


Degradação e superaquecimento


De um modo geral, as transmissões automáticas modernas funcionam por controle hidráulico de precisão, no qual solenoides e corpos de válvulas regulam o fluxo de fluido que aciona as embreagens internas, define o momento das trocas de marcha e controla a pressão sobre o conversor de torque. Qualquer contaminação ou degradação do lubrificante compromete esse funcionamento de maneira progressiva, tendo em vista que um fluido oxidado forma depósitos que obstruem passagens internas, enquanto a presença de ar no circuito torna o fluido compressível e causa atrasos ou imprecisões nas trocas. Em ambos os casos, o desgaste avança antes de qualquer sintoma que o motorista consiga identificar no comportamento do veículo.


Por outro lado, o superaquecimento é o fator que mais acelera essa degradação. Transmissões operadas acima de 90°C de forma recorrente consomem o fluido em ritmo muito superior ao previsto pelos intervalos de manutenção convencionais, situação frequente em condições de trânsito intenso, uso prolongado em altas temperaturas ambientes ou reboque regular.


Além disso, trajetos habitualmente curtos, abaixo de seis a oito quilômetros, também prejudicam o sistema porque impedem que a transmissão atinja a temperatura ideal de operação e favorecem o acúmulo de umidade no fluido ao longo do tempo.


Alguns hábitos, como engatar a marcha “D” imediatamente após a partida, sem aguardar o aquecimento mínimo do sistema, ou posicionar o câmbio em “P” antes de acionar o freio de mão em aclives, também transferem esforço para componentes que não foram dimensionados para absorver essa carga de forma recorrente, comprometendo gradualmente a vida útil do equipamento.


Especificação de fluidos


À medida que as transmissões automáticas ganharam mais marchas, componentes de menor porte e maior carga térmica por volume reduzido de óleo, os fluidos precisaram acompanhar essa evolução em composição e desempenho. Os lubrificantes que atendiam os câmbios de quatro marchas, comuns nos anos 1990, são tecnicamente inadequados para os sistemas atuais, não apenas por questões de viscosidade, mas pela ausência de aditivos que os câmbios modernos exigem para funcionar dentro dos parâmetros para os quais foram projetados.


Os fluidos atuais para transmissão automática são formulados com viscosidade mais baixa, o que reduz o atrito interno e contribui para a eficiência de combustível, requisito que as normas de emissões globais tornaram parte integrante do desenvolvimento de qualquer nova transmissão.


Além disso, precisam oferecer estabilidade térmica e oxidativa para resistir à degradação em temperaturas elevadas, modificadores de fricção que garantam trocas de marcha sem deslizamento nas embreagens internas e aditivos que previnam a formação de espuma e preservem a incompressibilidade do fluido no circuito hidráulico.


A compatibilidade com os materiais de vedação, ligas metálicas e componentes eletrônicos presentes nos câmbios mais recentes também integra as especificações técnicas dessas formulações, o que torna o desenvolvimento desses produtos consideravelmente mais complexo do que era há duas décadas.


Atualmente, algumas fabricantes desenvolvem transmissões com requisitos próprios e homologam fluidos específicos para seus sistemas, com composição, viscosidade e pacote de aditivos determinados de acordo com as características de cada projeto. O uso de fluidos genéricos ou tecnicamente inadequados nesses câmbios pode anular garantias e acelerar o desgaste de componentes dimensionados para operar com um lubrificante particular, o que transforma a escolha do fluido correto em uma decisão técnica com consequências diretas na durabilidade da transmissão.


Eletrificação e próximos ciclos


Os modelos híbridos e elétricos, que vêm crescendo exponencialmente no mercado brasileiro, contam com transmissões integradas a motores elétricos, e demandam fluidos com propriedades dielétricas, compatibilidade com materiais específicos desses componentes e capacidade de suportar taxas de resfriamento mais altas do que as transmissões convencionais exigem. Embora esse segmento ainda represente uma parcela minoritária da frota brasileira, seu crescimento já orienta o desenvolvimento de novas formulações pela indústria de lubrificantes, que acompanha essa transição com investimentos em pesquisa e homologação junto aos fabricantes de transmissão.


No médio prazo, o desafio mais visível está relacionado à cadeia de manutenção convencional. O crescimento da frota com câmbio automático no Brasil exige que oficinas invistam em capacitação técnica e em ferramentas de diagnóstico compatíveis com os sistemas eletrohidráulicos modernos, que distribuidores e varejos de autopeças qualifiquem o portfólio de fluidos específicos disponíveis e que o proprietário compreenda que a transmissão automática exige manutenção regular e com o fluido correto. Isto porque, mesmo que a população brasileira tenha feito sua escolha pelo automático, a manutenção que esse câmbio exige ainda não foi incorporada com a mesma naturalidade.


Homem sentado em uma poltrona, vestindo camiseta preta com o logo da FUCHS e calça jeans, posando para foto em ambiente iluminado por luz natural.

 










Marcelo Martini é Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS, maior fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados do mundo.

6 comentários


jennysilva3.2.3.12
há um dia

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jennysilva3.2.3.12
há 2 dias

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giecphangqua.n.h.g.h.u.n.g
há 2 dias

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jennysilva3.2.3.12
26 de jun.

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jennysilva3.2.3.12
23 de jun.

keonhacai.cam hôm trước mình thấy bạn bè nhắc hoài nên cũng bấm vào coi thử cho biết. Mình không ngồi đọc kỹ hay làm gì nhiều, chỉ lướt qua xem họ bố trí trang ra sao thôi. Ấn tượng đầu là nhìn khá thoáng, kiểu chia từng khối thông tin tách bạch nên mắt không bị “ngợp” chữ. Mình thích nhất là phần hiển thị dạng bảng, các cột canh thẳng hàng nên kéo xuống vẫn dễ theo dõi, không bị rối. Thanh menu cũng đặt chỗ dễ thấy, bấm qua lại vài mục là tới luôn, không phải mò. Nói chung lướt vài phút là quen tay, nhất là cách họ chia block và trình bày bảng theo cột…

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